A Cantora Careca
Por conta da ausência de ares inspiradores, deixo aos leitores do blog um texto que não é meu. Há um outro motivo. Faço a tentativa, e espero não me frustrar, de intigá-los a ser amantes das artes cênicas. O texto que escolhi é um trecho de A Cantora Careca, de Eugene Ionesco. O autor faz parte da lista de dramaturgos europeus do teatro do absurdo (que por motivos óbvios, outros preferem chamar de anti-teatro). São peças que tratam da realidade de forma um tanto inusitada.
Às vezes nos faltam tempo, disposição, vontade (e coragem) para assistir aos nossos espetáculos. Para não perdemos o tino para apreciar essa arte, basta-nos uma breve leitura. Se acompanhada, melhor ainda.
CENA 4 – O casal Martin
(O Sr. e a Sra. Martin sentam-se um em frente ao outro, sem dizer uma palavra. Sorriem timidamente).
O MARTIN: Desculpe minha senhora, mas parece, se não estou enganado, que já a conheço de algum lugar.
A MARTIN: A mim também senhor, parece-me que já o conheço de algum lugar.
O MARTIN: Será que já não a vi em Manchester, por acaso, minha senhora?
A MARTIN: É bem possível. Eu nasci em Manchester! Mas eu não me lembro muito bem senhor; não poderia afirmar se já o conheço ou não.
O MARTIN: Meu Deus, como é engraçado! Eu também nasci na cidade de Manchester, Minha senhora!
A MARTIN: Como é engraçado!
O MARTIN: Que coisa engraçada! Só que eu, senhora, eu vim de Manchester faz mais ou menos cinco semanas!
A MARTIN: Que coisa engraçada! Que coincidência interessante! Eu também, senhor, eu vim de Manchester faz mais ou menos cinco semanas!
O MARTIN: Eu vim no trem das oito e meia da manhã, que chega a Londres às quinze para as cinco, minha senhora.
A MARTIN: Como é engraçado! Como é interessante! Que coincidência! Eu também tomei o mesmo trem, senhor, eu também.
O MARTIN: Meu Deus, como é engraçado! Pode bem ser então, minha senhora, que eu a tenha visto no trem!?
A MARTIN: É bem possível, não é incrível, é plausível, e depois por que não? Mas eu não lembro senhor.
O MARTIN: Vim de segunda classe, minha senhora. Não existe segunda classe na Inglaterra, mas assim mesmo eu vim de segunda classe.
A MARTIN: Como é interessante, como é engraçado e que coincidência! Também eu, senhor, vim de segunda classe.
O MARTIN: Como é engraçado! Talvez nos tenhamos encontrado na segunda classe, senhora minha.
A MARTIN: É bem possível, e pode muito bem ter acontecido, mas eu não me lembro direito caro senhor!
O MARTIN: Meu lugar era no vagão número oito, décimo sexto compartimento, cara senhora!
A MARTIN: Que coisa engraçada! Meu lugar também era no vagão número oito, décimo sexto compartimento, caro senhor!
O MARTIN: Eu tenho uma filhinha; minha filhinha mora comigo, minha cara senhora. Ela tem dois anos, é loira, tem um olho branco e um olho vermelho; é muito bonitinha e se chama Alice, minha senhora.
A MARTIN: Que coincidência esquisita! Eu também tenho uma filhinha de dois anos, é loira, com um olho branco e um olho vermelho; ela é muito bonitinha e também se chama Alice, meu caro senhor!
O MARTIN: Como é engraçado e que coincidência! É esquisito! Vai ver que é a mesma, senhora minha!
A MARTIN: Como é engraçado, é bem possível, senhor meu!
O MARTIN: Então, minha senhora, creio que não há mais dúvidas: Já nos vimos em outra ocasião e a senhora é minha própria esposa… Elizabeth, eu te encontrei finalmente!
A MARTIN: Donald – é você, darling!
Rumo novo para o teatro no Amazonas
Os artistas de teatro do Amazonas já têm novos representantes durante o biênio 2009-2010. A gestão do ator e diretor Sérgio Lima entregou as chaves da Federação de Teatro do Amazonas (Fetam) à chapa Ação Teatral no Amazonas, encabeçada pelo xará Sérgio Uchoa. A entrega ocorreu hoje, logo após a eleição, no encerramento do 8º Congresso de Teatro no Amazonas, no Ideal Clube. A chapa venceu a preferência dos artistas por uma diferença de três votos para o concorrente Nivaldo Motta, que obteve 29 votos. A chapa de Wagner Melo conseguiu apenas 9 votos.
Fazem parte da nova gestão os atores Douglas Rodrigues, na vice-presidência; Fabiene Priscila, na secretaria geral; Cleinaldo Marinho, na diretoria de administração financeira; Kid Mahal, na diretoria de marketing e relações institucionais; João Fernandes, na diretoria de formação técnica e pedagógica; Sílvio Romano, na diretoria de planejamento e projetos culturais e Koia Refkalefsky, na direção de ações para o interior.
Foi a primeira vez que a categoria optou pelo voto secreto. “É uma oportunidade para experimentar. Todos os congressos já fazem isso”, disse o diretor e dramaturgo Jorge Bandeira, membro da comissão eleitoral. Cada grupo de teatro sem débitos financeiros com a Fetam teve a oportunidade de escolher dois delegados para votar. Durante o congresso, que começou ontem, às 9h, também foi elaborado o novo estatuto da entidade.
Fazem parte das propostas da nova gestão para o primeiro semestre, a legalização da Fetam, a busca por apoios em entidades públicas e a organização de um evento para o dia do teatro, comemorado no dia 27 de março. Também é meta da gestão a inserção dos eventos da Fetam nos calendários das secretarias municipal e estadual de cultura. “Uma federação sem relação com o poder público não manda”, disse João Fernandes quando a chapa foi questionada, durante debate, sobre a independência da entidade perante os órgãos públicos.
Apesar de não conseguirem votos suficientes, as chapas concorrentes se dispuseram a entregar ao presidente recém-eleito suas propostas lançadas durante a campanha. “Não fomos uma chapa de cargos, mas de propostas. Então, vamos trabalhar todos juntos”, disse o diretor Wagner Melo. Nivaldo Mota partilha a mesma opinião. “Esperamos crescer e resolver nossos problemas na medida do possível”, disse.
O cálculo da felicidade
Você vale cada centavo que recebe? O questionamento me chamou a atenção quando li matéria na Superinteressante, edição de fevereiro. Também pretendo usar a mesma linha de raciocínio para citar outro texto relevante da mesma edição da revista, sobre vocação e talento. Adianto logo que não é leitura para agradar gregos e troianos, judeus e palestinos. Ainda assim escrevo e já vou me habituando a feedbacks acalorados.
A IBM já está desenvolvendo na prática um projeto que visa catalogar 50 dos 300 mil funcionários da companhia. A meta é medir a produtividade de cada empregado. O serviço pode ser útil para promoções, seleções e, se perpetuarem os tempos de crise, demissões. Nunca fui fã de números, mas aviltou-se em mim um desejo insopitável de que essa não fosse somente mais uma ideia conspiratória e sem futuro divulgada pela Superinteressante. E começo a pensar que, neste caso, os números podem ser grandes amigos.
Você deve conhecer, leitor, mais de dezenas de pessoas que exercem alguma atividade sem talento para tal. Pior que a falta de talento, é a falta de interesse. Você conhece, leitor, e se a carapuça couber, não se sinta acuado de eu estar falando de você. Encontramos milhares de pessoas bem remuneradas e infelizes no serviço, isso não é balela. O escritor Márcio Souza escreveu em artigo no jornal A Crítica, condenando especificamente o corpo administrativo do município de Manaus:
“Estive na administração federal por 12 anos e vi muita excentricidade burocrática, mas nada parecido com as sandices da burocracia municipal desta sofrida capital: é assessor jurídico que não sabe nada de direito administrativo, é secretária que não sabe escrever, é um administrador que não sabe abrir um processo ou prestar contas. Tudo isso engessa e paralisa a administração da cidade, beneficiando os parasitas”.
Eu generalizaria o que o autor escreveu, sem pena. Os parasitas não estão apenas na administração municipal. Estão nas escolas, nas universidades, nas redações dos jornais, em qualquer departamento. Gosto muito de citar dados científicos para comprovar meus argumentos. Mas como não os tenho nas mãos por ora, e na tentativa de fugir um pouco da religião, publico o que prefiro chamar de teoria conspiratória da infelicidade.
Felicidade é coisa que talvez se descubra no clímax da maturidade. (Sim, isso tem tudo a ver com o texto que você se propôs a ler). Felicidade é coisa que todos queremos, mas ninguém sabe direito o que é porque não podemos tocá-la. E os parasitas querem conquistá-la assim, no toque.
Digo por experiência pessoal que as escolas não preparam seus parasitinhas a conquistar a felicidade além do toque. Em muitos lares, até mesmo a educação doméstica segue o princípio inadequado. Crescemos com o objetivo do acúmulo, da sensação imediata. Daí os empregados que padecerão com a tal máquina da medição de produtividade. Porque milhares de pessoas se formam com o objetivo do acúmulo, e não valem o que produzem. Não consegue acompanhar minha viagem? Então responda: entre dois empregos, qual você escolheria? É o dilema que vejo todos os dias, e dou risadas com o critério das pessoas. E ainda sou julgado. Para muitos, felicidade é balela de gerações jurássicas.
Outra constatação, e afirmo que é opinião pessoal baseada numa observação muita imatura, é que os parasitas, esses que baseiam suas felicidades no acúmulo, são os que já têm bastante acumulado. Vejam os concursos públicos, é uma briga injusta. Entra quem não precisa. São pessoas que preferem viver sem riscos. Quem ganha o risco é a nação, que emprega uma série de talentos que vão trabalhar para operacionalizar a máquina estatal, que não avança, estagna, não promove o crescimento econômico. Por outro lado, vejo pessoas sem renda, que nasceram sem condições de avaliar o futuro, que passaram por outras escolas e batalhas, e resistem para fazer o que gostam, porque sabem que a recompensa será muito maior.
Por isso, vou me travestir agora de conselheiro budista ou autor de livro de autoajuda, e propor a todos uma análise bem caprichada de seus verdadeiros talentos. A aptidão para determinadas atividades está em nosso DNA, diz a Superinteressante. O sucesso da vocação está na união da aptidão e do interesse. Faça logo sua autoavaliação antes que cheguem os tais numerati com suas máquinas. Exerça seu talento. Desenvolva sua aptidão porque ela tem uma data-limite.
Ao descobrir que está desempenhando uma atividade para o qual não tem talento, caia fora. Assim, você não atrasa o país, promove o avanço e no final das contas estará mais perto de ser feliz. Se tiver dificuldade para descobrir se aquilo faz parte ou não da sua vida, então falte um dia o trabalho e reflita em casa. Pior que levar sermão do chefe e dos demais funcionários, é descobrir que, afinal de contas, você não fez falta.
PS.: As imagens são de uma animação bem legal que encontrei na net: http://www.localhost.nl/stuff/flash/office.swf
Os donos dos parágrafos
Deu vontade de informar os autores dos primeiros parágrafos divulgados aqui, anteriormente, em O Bufão. Quero recomendar as histórias que ainda não leram, sobretudo os romances quase poéticos de Adriana Falcão e a dramaturgia maravilhosa de Ilo Krugli, autores que, possivelmente, não deu para identificar. Os livros são raros, mas eu empresto para quem se interessar.
Tudo no mundo começou com um sim. Uma molécula disse sim a outra molécula e nasceu a vida. Mas antes da pré-história havia a pré-história da pré-história e havia o nunca e havia o sim. Sempre houve. Não sei o quê, mas sei que o universo jamais começou.
A Hora da Estrela, Clarice Lispector
Quando Gregor Samsa acordou, certa manhã, de sonhos perturbadores, ele se viu transformado, na sua cama, em um inseto gigantesco.
A Metamorfose, Kafka
Naquela sexta-feira dos ventos, 7 de julho, logo que a tarde caiu, os acontecimentos começaram a acontecer feito loucos na vida de Luna Clara, justo na vida dela, uma menina que tinha uma vida meio besta.
Luna Clara e Apolo Onze, Adriana Falcão
Hamlet observa a Horácio que há mais cousas no céu e na terra do que sonha a nossa filosofia. Era a mesma explicação que dava a bela Rita ao moço Camilo, numa sexta-feira de novembro de 1869, quando este ria dela, por ter ido na véspera consultar uma cartomante; a diferença é que o fazia por outras palavras.
A Cartomante, Machado de Asis
- Lá vem a Compadecida! Mulher em tudo se mete!
O Auto da Compadecida, Ariano Suassuna
Eis aí vão algumas páginas escritas, às quais me atrevi a dar o nome de romance. Não foi ele movido por nenhuma dessas três poderosas inspirações que tantas vezes soem aparar as penas dos autores: glória, amor e interesse.
A Moreninha, Joaquim Manuel de Macedo
- Senhoras e senhores, vocês vão ver e ouvir a história do mistério do fundo do pote… Ou de como nasceu a fome… Já amanheceu? Falta pouco… Já é hora de contar a minha história… A minha história nasce… e morre como o sol… e se cala quando aparece a primeira estrela. Entrem, amigos… Eu conto esta história todos os dias… Ela é da época em que nem tudo o que existia precisava ser explicado. Existia o mistério, e nós, os cegos, é que cuidávamos dele. Hoje em dia, o mistério se acabou e perdemos o ofício. Eu sou o cego Setembrino.
O Mistério do Fundo do Pote, ou De Como Nasceu a Fome, Ilo Krugli
Alguém devia ter caluniado Josef K., pois, sem que tivesse feito mal algum, ele foi detido certa manhã.
O Processo, Kafka
Há anos raiou no céu fluminense uma nova estrela. Desde o momento de sua ascensão ninguém lhe disputou o cetro; foi proclamada a rainha dos salões. Tornou-se a deusa dos bailes; a musa dos poetas e o ídolo dos noivos em disponibilidade. Era rica e formosa. Duas opulências, que se realçam como a flor em vaso de alabastro; dois esplendores que se refletem, como o raio de sol no prisma do diamante. Quem não se recorda de Aurélia Camargo, que atravessou o firmamento da corte como brilhante meteoro, e apagou-se de repente no meio do deslumbramento que produzira seu fulgor?
Senhora, José de Alencar
O post dos posts
Há alguma coisa podre na esteira do Google, e meu blog está ganhando com isso. Explico. Para muitos, a possibilidade proporcionada pela Web 2.0 provocou um boom na democratização da informação. Por conta dos blogs, nossos tempos nos permitem gostar mais de escrever, ler, portanto somos hoje mais aptos a opinar e democratizar nossos argumentos e pensamentos.
Há pouco menos de um ano, por exemplo, assim que estreado o programa CQC na Band, brotou-me a tal vontade de expressão e saciei meu anseio com um post no Bufão. Precisava de uma fotografia e a dita democratização me facilitou copiar uma pequena imagem do programa de algum site ou de outro blog, não me lembro ao certo de onde.
Tempo vai, tempo vem. Começo a aprimorar os textos que aqui escrevo. Começo a receber respostas de pessoas nos corredores que jamais eu imaginaria estarem lendo um texto meu no Bufão. (Me lembrei rapidamente da Raquel sendo abordada na Ufam, em uma manhã qualquer, pela professora Ivânia: “Raquel, você está tão deprimida. Li umas coisas tão pesadas no seu blog”). Outro dia um desconhecido me liga do jornal a fim de divulgar meu blog, entre outras surpresas. É fácil notar que estamos mais expostos que antigamente.
O problema das múltiplas possibilidades de informações, percebo, é a iminência de uma propensão maior de tornarmo-nos seres ignorantes. Esse fenômeno tem até um nome: agnotologia. “Mais informação significa menos conhecimento”, saiu na revista Wired. Daí explico porque há algo podre na web, sobretudo na esteira do Google. Há meses fazendo pesquisas de filmes para o projeto Cine e Vídeo Tarumã, da Ufam, já me habituei a procurar as melhores críticas e informações corretas na página 5 da busca. E haja boa cabeça e dedução para escolher a informação certa como referência.
Pasmem alguns, mais a referência que escolho quase sempre vem da Wikipédia. Sim, a tal enciclopédia que os academicistas odeiam. Qualquer um tem o poder para acrescentar dados nos verbetes da Wikipédia e a seleção desses não é lá tão rigorosa como alguns pensam. Quem disse foi o próprio Jimmy Wales, criador da enciclopédia, no último Roda Viva (reprisado), na TV Cultura. Wales também desconfia da esteira do Google e planeja criar um site de buscas em que nós teremos a liberdade para definir a prioridade dos dados.
Um dos tapurus eu já conheço. Graças à professora Aline. Com seu tino para a docência, ela me entregou, certo dia, alguns textos para eu ler – somente pelo ingênuo fato de eu expressar em meio minuto meu anseio pelo estudo dos blogs. A partir da breve leitura, descubro que algumas agências já se especializaram no search engine optimization (SEO). Em curtas palavras, é ato de empurrar as páginas de seus clientes para o topo da lista no Google. Tudo para defender a reputação das empresas contra a liberdade de nossos blogs.
Já dá para se ver que a jurássica guerra dos relações públicas com os jornalistas não passa de um conflito corriqueiro na Faixa de Gaza. E os jornalistas precisam rever suas funções pra não perder o posto de mediador e ser visto como uma simples testemunha dos fatos. Pouco vi discussão como essa na academia. (Aline, habitue-se a entregar esses textos).
Mas sabem por que meu blog está ganhando com essa história toda? Dia desses me petrifiquei com uma súbita subida no gráfico das estatísticas do blog. Com o rosto colorido de felicidade, o WordPress me informou que era a página do CQC a causa do sucesso. E, verifiquem, mais de vinte pessoas pensam que é o Tas o dono deste blog. Logo descobri o motivo. Não sei por que bombas d’água a imagem furtada em O Bufão aparece entre os tops na busca de imagens da palavra CQC no Google. Juro que não contratei agência alguma.
Adeus ao criador de Hair e Jesus Cristo Superstar
Inimigos, animem-se. Estou com uma conjuntivite braba. A epidemia me impede de escrever alguns artigos sobre assuntos que me incitaram essa semana. Mas um óculos escuros, uma compressa de água fria, uma leve distância do computador e algumas lágrimas ardentes me permitem lamentar rapidamente, aqui no blog, a morte de Tom O’Horgan.
Ele levou para o teatro o musical Hair – que depois tornou-se uma das melhores expressões sobre o movimento hippie no cinema, dirigido por Milos Forman. Para encerrar o blog com uma citação cantante, que não seja a óbvia Age of Aquarius, menciono outra criação mais ousada de O’Horgan no teatro: Jesus Cristo Superstar.
Tive curiosidades sobre o filme, da década de 70, desde o dia em que o famoso compositor Andrew Lloyd Webber (sim, de O Fantasma da Ópera) levara suas canções ao American Idol. Desde então, não saiu mais da minha cabeça a música Superstar, cantada pela australiana Carly Smithson.
A história de Cristo é contada sob a visão de Judas, com elementos da cultura pop anos 60. Uma versão para TV foi feita em 2000 com uma roupagem ainda mais rock’roll. Por conta da escassez de nossas locadoras, fui conhecendo o primeiro filme (e me apaixonando) aos poucos, assistindo a cenas pela Internet. O refrão da música é claro, mas foi somente depois, por curiosidade, que desvendei a insanidade da letra completa da canção que estava cantando. Ponto para Lloyd Webber e O’Horgan, que Jesus Cristo o tenha.
Abaixo está a canção de Jesus Christ Superstar (cantada por Judas), no trecho dos dois filmes e na letra. Para quem não é apegado demais ao Homem, vale a pena assistir.
P.S.: Que fique claro que não tenho inimigos (que eu saiba). Usei somente a força da expressão de uma frase de abertura, ok?
SUPERSTAR
Sempre que olho pra você não consigo entender
Porque deixou as coisas que fez sairem tanto de controle
Você teria gerenciado melhor se tivesse planejado
Por que escolheu um tempo tão atrasado
Em uma terra tão estranha?
Se tivesse vindo hoje
Teria atingido toda a nação.
Israel em 4 a.C não tinha comunicação em massa.Não me entenda mal. Não me entenda mal.
Eu só queria saber. Eu só queria saber.
Senhor, eu só queria saber, agora…Jesus Cristo, Jesus Cristo
Quem é você? O que foi que sacrificou?
Jesus Cristo, Superstar
Você acha que é quem eles dizem?Diga-me o que penas sobre seus amigos no topo.
Quem além de você seria a escolha da colheita?
Buda, seria ele o bicho? Estaria ele onde você está?
Pode Maomé mover uma montanha? Ou ele só um RP?Era sua intenção morrer assim?
Teria sido um engano? Ou,
Você já sabia que uma morte suja
Seria um quebrador de recordes?Jesus Cristo, Jesus Cristo
Quem é você? O que foi que sacrificou?
Jesus Cristo, Superstar
Você acha que é quem eles dizem?
A Bíblia segundo o Lego
Peças de lego que contam o Velho e o Novo Testamento. Já havia sentido falta de procurar coisas raras que encontramos na Internet no site da revista Piauí (seção Achados e Imperdíveis).
Reproduzo aqui uma cena famosa da Bíblia. No site The Brick Testament tem mais.
Fiz um corte aqui para poupar o tamanho do post e da página do blog… O resto está no link abaixo.
Pró-legalização com dinheiro público
O mesmo ministro que declarou que o aborto é uma “questão de saúde pública” financiou, por meio da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), o documentário O Fim do Silêncio, de Thereza Jessourron. O ministro em questão é José Gomes Temporão, que comanda a pasta de saúde e recebeu um grande crédito nacional por pronunciar a frase do ano de 2007 (opinião do blogueiro tá, senhores leitores):
– Se os homens ficassem grávidos, essa questão do aborto já estaria resolvida há muito tempo.
A polêmica agora é reacendida – não com a mesma chama – por conta do documentário financiado com o nosso dinheiro, concorde você com a frase ou não. Daí, surgem adeptos em favor da vida que reclamam da imparcialidade do vídeo, como se fosse jornalístico.
A resposta a todos os dedões apontados na cara do ministro pode ser respondida pelas mulheres que participam do documentário, outras que ainda se encontram cerceadas pelo não-direito à decisão e mais outras mulheres que convivem com você, suas vizinhas, parentes, amigas. Qual a opinião delas?
Entrei no Youtube algumas cenas do documentário (o original tem 52 minutos).
Carta de uma geração bege
Desculpem vocês, leitores acima de 30 anos. O bom assentimento à leitura desse texto pressupõe a disposição para admitir que já estão velhos. Para deixá-los laureados, se não bastarem as minhas palavras de consolação, cito Elis Regina, da geração de vocês: “vejo vir vindo do vento o cheiro da nova estação”. Ainda me faltava um argumento, fora as canções de Belchior, para dissuadi-los de que são vocês, comandantes desse mundo em que estamos, que amam o passado e que não vêem que o novo sempre vem.
Encontrei o argumento. Veio do analista John Zogby, responsável pelas principais pesquisas de opinião das eleições americanas. No livro “The Way We’ll Be” citado em um artigo no Estadão e em um vídeo que a jornalista Lúcia Guimarães fez para o programa Saia Justa, do GNT, o sucesso de Obama nos EUA alerta para a vitória da geração de jovens de 18 a 29 anos. Já era tempo para que alguém pudesse identificar essa turma, que difere da anterior em variados pontos e que hoje, por responsabilidade da internet e de outras coisas, leva a culpa por não seguir os conselhos e o estilo de vida dos pais, guardados por Deus, contando vil metal.
Não é difícil pontuar que culpas são essas que levamos. Perguntemos a qualquer ativista, militante, combatente, esses com mais de trinta anos; perguntemos a esses ou a qualquer um quais são suas opiniões sobre a geração que vos escreve. Você, leitor, faça a si essa indagação. Somos a geração perdida, não somos? A geração do mundo material. Todos os dias somos apontados como os jovens que perderam com o que ganharam. Não é tão fácil mobilizar essa juventude como vocês faziam no mundo original de vocês, é verdade. Somos subproduto do mundo capitalista. Pensamos no nosso umbigo e etc, etc.
Para Zogby, ou Lúcia Guimarães, somos a geração bege, pois não pensamos em extremos. Também somos chamados de “Os Primeiros Globais”. Identificam-nos com Obama pois apoiamos os relacionamentos inter-raciais numa proporção maior que os velhinhos que meia idade. Em artigo que escreveu em agosto de 2008, a jornalista (de mais de 30 anos) reflete com olhos otimistas nossa juventude. Sua fonte é juventude americana, que é a juventude do mundo inteiro. Vejam se vocês não pensam o mesmo:
Estes jovens, segundo Zogby, são liberais na definição semântica de liberalismo – desconfiam de ideologias de direita ou esquerda. E, uma surpresa, são capazes de navegar sobre a sutileza das questões complexas, numa rejeição ao maniqueísmo orquestrado pela direita conservadora. Mesmo os jovens que são contra o aborto manifestaram-se, em números consideráveis, a favor da manutenção do direito constitucional ao aborto. A geração que dança ao som de astros internacionais, como a colombiano-libanesa Shakira e descobre a Anistia Internacional pela MTV, merece mais crédito.
Por que não teríamos motivos suficientes para desconfiar também das ideologias de esquerda? Vejamos esses jovens que pretendem copiar o mundo de vocês. Vejamos o resultado do mundo socialista que vocês sonharam. Por isso somos bege, porque não pensamos nem no preto nem no branco. Discutimos literatura ou o aquecimento global com a mesma facilidade que discutimos o próximo show, o programa da TV ou a vida dos outros. Vocês querem difundir, palestrar. Nosso festival é conversa. Vocês discutem a vida do autor e as metáforas de suas obras. Nós nos reservamos o direito de fazer nossa interpretação, e ler nossos livros como manual de vida.
Sim, pensamos em nós mesmos. Cercamo-nos em nosso mundo privado mesmo no espaço público. Observem os jovens com seus fones de ouvido na viagem de ônibus, ambicionando celulares, internet móvel, mídias sociais. É o nosso futuro. Vocês acreditam, refletem, chamam, mobilizam, nós já fazemos por nós mesmos. Belchior de novo: “viver é melhor que sonhar”. No teatro, aprendo (obrigado, Busta!) que já não vale mais a pena a mobilização social por meio da arte. Acreditamos na transformação pessoal. Portanto, esqueçam seus pessimismos, esse é o nosso modo de mudar o mundo. Guardem, por favor, seus alto-falantes. Não adianta. Vocês perderam, e o sinal está abrindo para nós, que somos jovens.
A culpa é da imprensa. Ainda bem!
Último ano de graduação em jornalismo e começa a ganhar forma em minhas atitudes certa agressividade contra quem sempre fala mal da mídia. Tal agressividade, ainda que “branca”, é uma característica usual de quem, podemos observar, pratica o jornalismo cotidianamente. São pessoas que tem uma vocação clara para a profissão e devem ser reconhecidas e aplaudidas no mundo moderno pelo fato simples de terem gosto pelo que fazem e serem felizes com isso.
O último ataque à imprensa foi a acusação de nepotismo contra o prefeito eleito de Manaus, Amazonino Mendes. A nomeação de filha e irmã para os cargos de secretárias de cultura e de assistência social, respectivamente, poderia passar batido se não fosse o estardalhaço feito na mídia nacional – Correio Braziliense, Folha de S. Paulo, O Globo, Band News, Jovem Pan, entre outros – e da mídia local, que também não esteve usando venda nos olhos nos últimos vinte anos.
Mas a imagem da imprensa já esteve em momentos tão ruins de popularidade que o prefeito Amazonino não teve problemas em lançar a ela mais essa culpa. Pior que isso. O prefeito não precisou criar mais uma ruga na testa, nem bolar mentiras para levantar o argumento contra o qual jornalista nenhum pode reivindicar. “Quem pediu foram eles”, disse, apontando para o povo. Pasmem, é verdade. Quase quinhentas pessoas reuniram-se em frente à prefeitura exigindo que Maryse Mendes, irmã do prefeito, assumisse a pasta que ela rejeitou por causa da tal tormenta da imprensa e “de alguns grupos políticos”. Também houve manifestação pró-Lívia dos artistas, com direito a abaixo-assinado.
Daí, me questionam agora pouco de que lado estou, uma vez ator de teatro, e ingressante no jornalismo. Putz, agora preciso conjecturar quem é o anjo e quem é o demônio nessa história toda. Está certo. (O jornalismo me ensinou que, algumas vezes, é preciso encarar a corda no pescoço). O assunto é política, estou ao lado de quem entende de política, e sabe o que é certo para a sociedade. Para isso, é preciso analisar vida e obra de nosso prefeito eleito e o que se espera que ele faça agora para o bem do nosso mundinho, muito além do nosso umbiguinho.
Mas de que maneira podemos assimilar o mundo do ponto de vista político? Um passo eficiente seria indagar a existência de uma política cultural em nosso Estado. Não é preciso ser muito esperto para notar que muitos grupos mal conseguem executar suas ações culturais pensando na pessoa que está do outro lado desse processo de comunicação. Essa arte que vemos, parte dela não é feita para nós, respeitáveis espectadores. Emissores também são receptores nesse processo. À medida que os grupos evoluem, crescem, aprimoram-se, enfeitam-se, perdem adeptos. O público lotado do Grande Circular não existe mais.
Nós quase pudemos presenciar, ano passado, uma grande manifestação no dia do teatro na Praça da Polícia em busca da valorização daquele espaço e da posição do artista no cenário amazonense. Já seria um passo importante para que conseguíssemos entender essa aflição que faz parte da profissão. A praça foi fechada na véspera, entre outros contratempos. Uma festa feita a duras penas pelos artistas conseguiu reunir um bom público que transitava na praça da Matriz, mas faltou a mensagem.
Pensemos: o que pode representar para nós uma posse tomada graças a uma liminar de última hora Justiça e afastamento de juíza? O que pode representar para nós (artistas, trabalhadores, assistentes, etc) um mandato que começa com ações questionáveis, erradas do ponto de vista ético, mas legais do ponto de vista jurídico; imoral, mas aceitas e acatadas pelos afetados? (Para Gilmar Mendes o nepotismo é a nomeação de parentes, mas não se aplica a cargos de natureza política como as secretarias municipais; para o Aurélio, nepotismo é favoritismo e ponto).
Alguém precisa, ao menos, entender o que está acontecendo em nossa cidade e, pelo menos, difundir. Daí vão dizer que a culpa é da imprensa. Ainda bem. Na vontade e no dever de fazer alguma coisa, tentei escrever um mínimo do que pensava sobre o assunto. Para quem ainda não entendeu, o que me resta é paciência. A imprensa fez a parte dela. Essas manifestações, por exemplo, estarão registradas em nossos jornais para quem quiser ler e rir daqui a quatro anos.
Olho no Trânsito
O que dizem as autoriadades e as sociedades sobre o trânsito no Amazonas? A questão foi o mote para um trabalho realizado em sala de aula por alunos do 8º período do curso de Relações Públicas da Ufam. O professor Nivaldo Moura, que ministra a disciplina Teoria e Pesquisa de Opinião Pública, pretendia avaliar na prática o que os estudantes aprenderam na teoria. “Eles escolheram, então, o tema sobre o trânsito na cidade e chegaram a uma expressividade prática do conteúdo aplicado em sala de aula”, disse o professor.
O resultado foi apresentado em aula por meio de dois banners, um VT, uma apresentação em slides e um painel fotográfico. O tema intitula-se “a realidade do trânsito em Manaus”. A equipe da Maloca Digital vai divulgar, por meio de pequenas matérias espalhadas em nossa página, algumas informações que a turma de Relações Públicas coletou durante o trabalho.
Acesse a Maloca Digital: www.malocadigital.ufam.edu.br
Pra começar a história…
Hoje não é domingo, mas as férias me permitiram aproveitar o ócio criativo novamente. (Desculpem os leitores com outro post carimbado de clichês e obviedades).
À procura de páginas sobre literatura na Internet, encontro uma tentativa de publicidade on-line baseada na leitura de primeiros capítulos. Autores, perdão, a idéia é mais que oportuna, mas nenhum de seus livros me convenceu.
Mas, repito, a idéia vale. Faz parte da minha lista de temores adquirir um livro que venha a me decepcionar. Aqui ao meu redor, algumas obras de autores que, ao contrário, me alegraram. Escrevo o primeiro parágrafo – se não bastar a primeira frase – de algumas dessas histórias. O tempo permite. Só não identifico os donos das letras. Não faço merchandising. Fica para a adivinhação dos leitores. Não é difícil.
Começo com meus favoritos – um tapa em quem não adivinhar:
Tudo no mundo começou com um sim. Uma molécula disse sim a outra molécula e nasceu a vida. Mas antes da pré-história havia a pré-história da pré-história e havia o nunca e havia o sim. Sempre houve. Não sei o quê, mas sei que o universo jamais começou.
Quando Gregor Samsa acordou, certa manhã, de sonhos perturbadores, ele se viu transformado, na sua cama, em um inseto gigantesco.
Naquela sexta-feira dos ventos, 7 de julho, logo que a tarde caiu, os acontecimentos começaram a acontecer feito loucos na vida de Luna Clara, justo na vida dela, uma menina que tinha uma vida meio besta.
Hamlet observa a Horácio que há mais cousas no céu e na terra do que sonha a nossa filosofia. Era a mesma explicação que dava a bela Rita ao moço Camilo, numa sexta-feira de novembro de 1869, quando este ria dela, por ter ido na véspera consultar uma cartomante; a diferença é que o fazia por outras palavras.
- Lá vem a Compadecida! Mulher em tudo se mete!
Eis aí vão algumas páginas escritas, às quais me atrevi a dar o nome de romance. Não foi ele movido por nenhuma dessas três poderosas inspirações que tantas vezes soem aparar as penas dos autores: glória, amor e interesse.
- Senhoras e senhores, vocês vão ver e ouvir a história do mistério do fundo do pote… Ou de como nasceu a fome… Já amanheceu? Falta pouco… Já é hora de contar a minha história… A minha história nasce… e morre como o sol… e se cala quando aparece a primeira estrela. Entrem, amigos… Eu conto esta história todos os dias… Ela é da época em que nem tudo o que existia precisava ser explicado. Existia o mistério, e nós, os cegos, é que cuidávamos dele. Hoje em dia, o mistério se acabou e perdemos o ofício. Eu sou o cego Setembrino.
Alguém devia ter caluniado Josef K., pois, sem que tivesse feito mal algum, ele foi detido certa manhã.
Há anos raiou no céu fluminense uma nova estrela. Desde o momento de sua ascensão ninguém lhe disputou o cetro; foi proclamada a rainha dos salões. Tornou-se a deusa dos bailes; a musa dos poetas e o ídolo dos noivos em disponibilidade. Era rica e formosa. Duas opulências, que se realçam como a flor em vaso de alabastro; dois esplendores que se refletem, como o raio de sol no prisma do diamante. Quem não se recorda de Aurélia Camargo, que atravessou o firmamento da corte como brilhante meteoro, e apagou-se de repente no meio do deslumbramento que produzira seu fulgor?
As crianças envelheceram
Uma tarde de domingo, preguiça declarada, três matérias para fazer, uma esperança de ócio criativo, uma foto encontrada casualmente na internet, e uma vontade meio doida de saber como estão, hoje, algumas crianças que conhecemos há algum tempo na TV e no cinema. Achei algumas fotos:
Foto de Spilberg com seu elenco de E.T.
O iluminado Danny Lloyd
Alex Linz, de Esqueceram de Mim 3, com 18 anos
Alex Vincent, que teve pesadelos com Chucky, o Brinquedo Assassino
Leonard Whiting, o Romeu de Zefirelli, ficou careca
E Olivia Hussey, a doce Julieta
Bug Hall. Olha o Alfafa (Os Batutinhas) adolescente.

O Charlie Bucket (Peter Ostrum, em A Fantática Fábrica de Chocolate) de bigode
Samuel Costa, o Menino Maluquinho com 22 anos.

SoleilMoon Frye. Lembra da Punk? A Levada da Breca?
E da Rosana Garcia? A Narizinho, do Sítio.
Pra terminar, o garoto de Stuart Little (Jonathan Lipnicki) de aparelho
Novo curso de jornalismo na Ufam
PROFESSORES SE PREPARAM PARA UM SALTO DE QUALIDADE
Os estudantes que ingressarem no curso de Jornalismo da Universidade Federal do Amazonas (Ufam) no ano de 2009 deverão entrar na academia com o pé direito. Os futuros calouros de jornalismo serão os primeiros matriculados no novo projeto pedagógico do curso, com estrutura curricular atualizada, entre outras novidades. Uma comemoração que não é só deles, mas também dos professores, egressos, finalistas e, muito em breve, da sociedade.
A notícia pareceu não ter chocado tanto de felicidade os outros professores como me chocou em reunião do Departamento de Comunicação Social esta semana, quando o professor doutor Gilson Monteiro entregou a estrutura com as primeiras disciplinas. Colegas de classe sabem que a batalha por um novo currículo não foi tão simples quanto provavelmente imaginarão os futuros calouros. Foram necessárias muitas reuniões. Algumas lotadas, outras esvaziadas. Muitos ataques, opiniões fortes, fracas. Um grupo de alunos acompanhando de perto toda a elaboração do projeto, dando pitacos. Outro grupo observando, de longe, e perguntando a todo instante se ia dar certo, se valia a pena, quando ia começar, “ano que vem?”, “cadê?”, “isso vai demorar?”.
O projeto pedagógico não será aplicado integralmente no próximo ano, mas o primeiro período já será no sistema modular. As disciplinas são:
Oficina de Leitura e Produção de Textos I,
Métodos e Técnicas do Estudo e da Pesquisa Científica,
Fundamentos de Fotografia e Imagem,
Sociologia da Comunicação,
Planejamento Visual, Editoração Eletrônica e Webdesign e
Tópicos Especiais em Jornalismo.
O agrupamento das disciplinas em um módulo possibilita maior interdisciplinaridade e avaliação constante do exercício tanto de ensino como de aprendizagem. Na prática, os professores do módulo trabalharão juntos na elaboração das ementas, planos das aulas e agenda de avaliações para que as disciplinas funcionem em conjunto, e não em confronto.
A nova idéia provocará – esperamos – uma melhoria no método de ensino de alguns professores. Trabalhando em conjunto, muitos atos contrários à boa aprendizagem serão inibidos. Será mais fácil verificar se os professores seguem o plano de curso proposto e se suas aulas são compreendidas. Os alunos ganham, mas precisam ter cautela. Como nas estruturas de Ensino Médio, eles precisarão ser aprovados no módulo inteiro para matricular-se no próximo. Um ponto que pode levantar discórdias e causar problemas, mas, de fato, é útil e compreensível.
Alunos do primeiro período, então, já terão contato direto com disciplinas da área do jornalismo e com os professores experientes da lista de docentes do curso: Ivânia Vieira, Narciso Lobo, João Bosco e Tom Zé. Haverá ainda a contratação de um professor substituto, que irá fazer parte da nova idéia.
O sucesso significa bons resultados por uma série de motivos. Também não é difícil apontar as desvantagens, mas fico contente em declarar que, por parte dos professores de Jornalismo, há uma grande esperança que a idéia dê certo. É um salto na qualidade do ensino da profissão.
Permitam-me agora fazer uma digressão pessoal. Esse é o fato que precisava ter acontecido antes de eu finalizar esse curso. Deixo na universidade um mínimo de contribuição e uma vontade muito grande que alunos mais novos tenham momentos ainda melhores que esses que eu tive na academia, com todos os contratempos e felicidades. Ficarei com muita inveja dessa nova turma. Mas, alguns anos mais tarde, estarei comemorando o fato de ter presenciado, ainda que nos últimos instantes, a efetivação dessa batalha.


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