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Archive for the ‘Reportagens’ Category

Rumo novo para o teatro no Amazonas

8 Fevereiro 2009 Clayton Nobre 1 comentário

http://susanacosta.files.wordpress.com/2008/03/teatro2.jpg?w=237&h=302Os artistas de teatro do Amazonas já têm novos representantes durante o biênio 2009-2010. A gestão do ator e diretor Sérgio Lima entregou as chaves da Federação de Teatro do Amazonas (Fetam) à chapa Ação Teatral no Amazonas, encabeçada pelo xará Sérgio Uchoa. A entrega ocorreu hoje, logo após a eleição, no encerramento do 8º Congresso de Teatro no Amazonas, no Ideal Clube. A chapa venceu a preferência dos artistas por uma diferença de três votos para o concorrente Nivaldo Motta, que obteve 29 votos. A chapa de Wagner Melo conseguiu apenas 9 votos.

Fazem parte da nova gestão os atores Douglas Rodrigues, na vice-presidência; Fabiene Priscila, na secretaria geral; Cleinaldo Marinho, na diretoria de administração financeira; Kid Mahal, na diretoria de marketing e relações institucionais; João Fernandes, na diretoria de formação técnica e pedagógica; Sílvio Romano, na diretoria de planejamento e projetos culturais e Koia Refkalefsky, na direção de ações para o interior.

Foi a primeira vez que a categoria optou pelo voto secreto. “É uma oportunidade para experimentar. Todos os congressos já fazem isso”, disse o diretor e dramaturgo Jorge Bandeira, membro da comissão eleitoral. Cada grupo de teatro sem débitos financeiros com a Fetam teve a oportunidade de escolher dois delegados para votar. Durante o congresso, que começou ontem, às 9h, também foi elaborado o novo estatuto da entidade.

Fazem parte das propostas da nova gestão para o primeiro semestre, a legalização da Fetam, a busca por apoios em entidades públicas e a organização de um evento para o dia do teatro, comemorado no dia 27 de março. Também é meta da gestão a inserção dos eventos da Fetam nos calendários das secretarias municipal e estadual de cultura. “Uma federação sem relação com o poder público não manda”, disse João Fernandes quando a chapa foi questionada, durante debate, sobre a independência da entidade perante os órgãos públicos.

Apesar de não conseguirem votos suficientes, as chapas concorrentes se dispuseram a entregar ao presidente recém-eleito suas propostas lançadas durante a campanha. “Não fomos uma chapa de cargos, mas de propostas. Então, vamos trabalhar todos juntos”, disse o diretor Wagner Melo. Nivaldo Mota partilha a mesma opinião. “Esperamos crescer e resolver nossos problemas na medida do possível”, disse.

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Curta 12 Horas

15 Dezembro 2008 Clayton Nobre 1 comentário

ESTUDANTES DESAFIADOS APRESENTAM RESULTADO

Já está no YouTube o resultado da oficina Projeto Curta 12 Horas, da 18ª Semana de Comunicação da Universidade Federal do Amazonas (Ufam). Os participantes que haviam se inscrito no projeto, durante o evento, foram desafiados a participar da produção de um curta-metragem em 12 horas. O nome do filme é Doze e está disponível abaixo.

O alicerce para a produção do curta foi um vídeo intitulado Imparcial, uma idéia de um grupo de cineastas de Porto Alegre (RS) que criaram o Cinema Soco. O nome causa inquietação. E essa é a idéia dos curtas Imparcial e Doze. Inspirado na técnica literária do escritor James Joyce de transcrever em suas obras monólogos interiores, o vídeo apresenta respostas breves a um questionário inusitado

O responsável pelo desafio foi o relações públicas Aldemar Matias, egresso do curso de Comunicação Social da Ufam. Ele é um destaques no meio audiovisual por conta do prêmio que ganhou no V Amazonas Film Festival. O filme “A Profecia de Elizon”, também disponível no YouTube, foi eleito pelo júri do festival o melhor curta-metragem digital inscrito no evento.

Para o Projeto Curta 12 Horas, a idéia de Aldemar foi fazer com que os participantes da oficina tivessem uma visão diferenciada do curta-metragem. “Espero que eles conheçam novas possibilidades de produzir uma obra consistente independente de orçamento”, disse, no primeiro dia de oficina.

Veja abaixo a primeira e a segunda parte do curta Doze e o curta original Imparcial.

 

 

 

Como o Orkut pode salvar uma empresa

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Algumas empresas proíbem o uso do site de relacionamentos Orkut por seus funcionários. Outras estão ganhando com isso. Este ano, alunos do curso de Relações Públicas estão aprendendo como muitas empresas vêm recorrendo às mídias sociais, como Orkut, Twitter e blogs corporativos, para potencializar as relações com seus públicos.

Esse recurso foi usado na campanha do presidente eleito Barack Obama, nos EUA. Mídias sociais ajudaram o candidato a se aproximar do público mais jovem. Muitas vezes, essas mídias também são grandes ferramentas para gerenciamento de crises. É esse o campo que despertou o interesse da aluna Neyruska Termineles. Ela vai fazer o seu Trabalho de Conclusão de Curso (TCC) sobre o papel da internet no gerenciamento de crises. “Adorei esse tema. Sou blogueira há sete anos”, disse, preparada para fazer um estudo de caso de alguma empresa cuja crise foi gerenciada por conta da Internet.

orkutA estudante Aliene Garcia, também finalista do curso, vai fazer monografia com a mesma temática. “Eu vou verificar como a empresa Vivo utiliza o blog corporativo como ferramenta de relações públicas”, afirmou.

A “descoberta” do potencial dessa ferramenta surgiu quando gestores passaram a perceber que muitas pessoas já a utilizam para criticar as ações de algumas empresas. Hoje, elas buscam se precaver usando o mesmo meio. “Agências especializadas aproveitam as mídias sociais para defender a reputação da empresa”, disse a professora Aline Lira, do curso de Relações Públicas da Ufam.

Mais estudos

Profissionais da área de comunicação necessitam estudar bem essa nova ferramenta. De acordo com Aline, já há agências utilizando as mídias sociais de forma antiética. E as outras empresas que ainda não conhecem a nova ferramenta, precisam se atualizar.

Leia esse texto também no site da Maloca Digital, a revista eletrônica da Universidade Federal do Amazonas.

As emboscadas entre a ciência e a notícia

O texto abaixo foi escrito para o Jornal do Jornalista, do Sindicato dos Jornalistas Profissionais no Estado do Amazonas, onde exerço estágio desde janeiro. Foi-me solicitado escrever sobre o Seminário de Jornalismo Científico da Fapeam. A maioria dos textos que fiz para jornais e outros veículos são desse tipo, as chamadas matérias de auditório. Por um lado elas são chatíssimas, por outra nos instiga a criatividade.

Pensando na criatividade, apanhei na casa da Selma (minha diretora de teatro) o livro Galileu Galileu de Bretch, citado no seminário, e li de cabo a rabo para elaborar um bom nariz de cera – aquela introdução do texto que chama o leitor para a leitura. Vale abrir um parêntese para recomendar o livro, que é ótimo e prazeroso de ler.

Daí, caí em outra armadilha: escrevo demais, sobretudo com a empolgação da criatividade. Mesmo no blog procuro exercer a síntese – sem sucesso, confesso, até mesmo nesta introdução que faço. Bufão, me ensine a escrever menos. Você, leitor, aprenda a ler mais.

Sai amanhã o Jornal do Jornalista com o texto editado, sem o nariz. Mas aqui está na íntegra. Para isso servem os blogs.

telescopio

AS EMBOSCADAS ENTRE A CIÊNCIA E A NOTÍCIA

Em seminário de jornalismo científico, Fapeam possibilitou o debate sobre formas viáveis de difundir ciência e tecnologia sem cair nas armadilhas

Galileu acreditava que Copérnico poderia ter levado o crédito merecido à sua época se dispusesse de um instrumento para provar sua teoria: era o Sol o centro do universo, em torno do qual giravam a Terra e os demais planetas. Os avanços tecnológicos presentes àquela época possibilitaram que Galileu criasse o telescópio para provar aos religiosos e aos acadêmicos a assertiva copernicana. Hoje, a ciência e a tecnologia mantêm essa função: abrir os olhos e produzir conhecimento. Entretanto, ainda é possível encontrar no mundo moderno, o que o doutor em Ligüística Sírio Possenti chamou de “mentalidade pré-copernicana”.

Durante palestra de abertura do I Seminário de Jornalismo Científico da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Amazonas (Fapeam), realizado em 18 de abril, no Centro Cultural dos Povos da Amazônia, Possenti debateu sobre a primeira de muitas armadilhas encontradas no exercício da popularização da ciência e tecnologia. Para ilustrar sua teoria, ele citou um trecho da peça de teatro A Vida de Galileu (ou Galileu Galilei), de Bertolt Brecht, no momento em que Galileu convidava os professores da universidade a averiguarem a veracidade da teoria de Copérnico. O telescópio estava de frente para a janela e apontava para o sol no centro dos astros.

– ­­­­­Razões, Senhor Galileu, razões! – solicitou o Filósofo, um dos professores.

– Razões? Mas se os olhos mostram o fenômeno? – replicou Galileu.

– Nos apoiamos em nada menos que na autoridade do divino Aristóteles – disse o Filósofo, em um momento mais tarde.

– Meus senhores, a fé na autoridade de Aristóteles é uma coisa, e os fatos, que são tangíveis, são outra. Eu lhes peço com toda a humildade que acreditem nos seus olhos.

­– Meu caro Galileu, por mais antiquado que pareça ao senhor, eu ainda tenho o hábito de ler Aristóteles, e lhe garanto que acredito nos meus olhos quando leio.

Os professores saem decepcionados, não mais que Galileu, que ainda insiste:

– Mas bastava que os senhores olhassem pelo instrumento! – lamentou. O filho da governanta cochichou para a mãe: “eles são burros”.

A lembrança da dramaturgia de Brecht foi útil para que o público presente na palestra entendesse a quem Possenti se referia quando falava sobre os filósofos copernicanos – que olham os objetos como eles são – e os opositores. Esses últimos podem ser comparados, hoje, aos articulistas que ditam as regras da língua portuguesa nos jornais. Tais regras, tal qual a forma como elas são transmitidas, sinalizam um preconceito tão ruim quanto o de raça ou de gênero. Para Possenti, o preconceito lingüístico é da ordem dos preconceitos culturais. “Os brasileiros incultos foram convencidos de que não sabem falar. É a pior maneira de negar suas características humanas”, afirmou. Ele acrescenta dizendo que os ditames da língua provocam o mesmo poder coercitivo e discriminatório das regras de etiqueta ou de moda; e os gramáticos, hoje, estão mais para Ronaldo Ésper do que para professores de português.

No decorrer do seminário, foi possível notar que a história de Galileu remete tanto à questão da popularização e difusão da ciência e tecnologia quanto a preconceito lingüístico. O jornalista Antônio Ximenes, durante mesa-rendonda, disse que o desconhecimento é a maior arma do jornalismo científico. “Ser jornalista científico é admitir que somos ignorantes. Não são os doutores que vão dizer o que é a vida do ribeirinho”, falou. Seguindo esse ponto de vista, Ximenes disse que não seria errado afirmar que o jornalismo científico amazonense está no mesmo nível do jornalismo científico de São Paulo ou da França.

O segundo entrave tem relação a problemas próprios do exercício da profissão de jornalista. O jornal impresso, na tentativa de engajar-se em uma concorrência desleal com o jornalismo de rádio, televisão e internet, tem apresentado cada vez menos a prática da abordagem. A questão foi expressa por César Wanderley, presidente do Sindicato dos Jornalistas Profissionais no Estado do Amazonas. Ele complementou a esse problema o fato de que os jornalistas freqüentemente são repreendidos em suas atividades por causa de interesses de empresas de comunicação. “A informação é base para decisões. A informação omissa é pior que a mal-feita”, argumentou.

Discorreram-se sobre uma série de outras armadilhas, como a questão da segmentação do jornalismo, percebida com preocupação pelo jornalista Gerson Severo Dantas. Ainda assim, reconheceu-se que a pesquisa durante a atividade do jornalismo científico deve ser feita com um cuidado especial, uma vez que os fatos, nesse ramo da profissão, nem sempre são imutáveis. Por sua vez, Antônio Ximenes disse que a dialética é determinante durante a etapa da apuração e da pesquisa. “É preciso comprovar. Não bastam declarações”, disse.

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