Um recadinho aos ainda não-condôminos
Há quem alerte os seres estressados que vagam pelos corredores do funcionalismo público ou pelos confins da burocracia universitária a necessidade de um dia de descanso. Faço um alerta a mais aos amigos deste blogueiro: olha bem onde tu pretendes descansar a cabeça! As donas de casa, ou os donos, ganharam mais a minha simpatia e respeito quando tive a oportunidade ímpar de participar de uma reunião de condomínio. Sim, o “ímpar” é ironia. Pior que compartilhar aquela experiência é a necessidade de contentar-me de que se tratava do lugar onde eu agora morava, não muito mais que três meses.
Não quero, com este post, roubar os intentos do Fantástico ou de nenhuma novela das oito em suas tentativas politicamente corretas em difundir as vidas sofridas, custosas, fatigantes e perigosas de nossos colegas síndicos. Acho muito que eles merecem, sobretudo elas. Saber administrar muito bem o lugar onde queremos descansar as cabeças exige um esforço muito além de princípios a la Rebecca Garcia. Admiro, portanto, aquelas que se encorajam em mostrar que não trabalham para limpar nossos travesseiros ou desentupir nossas pias. Trata-se de uma gestão para pouquíssimos, ainda mais quando se trata de combates com as construtoras políticas, a quem dou mensalmente meu querido dinheirinho.
O alerta, na verdade, é aos leitores não-condôminos: tomem cuidado com esse negócio de apartamento. E trato de “negócio” no sentido literal da palavra. A cautela tem várias justificativas. Explicarei duas.
Percebemos que a verticalização de nossa zona urbana é algo que prospera corações das mais variadas classes, seja via panfletos Jardim Paradiso, Smile, Mundi, ou promessas de Prosamim mesmo. Rindo? Se pensas que os conflitos “Prosamim” são promessas políticas longe do teu universo de vida, não queiras sonhar um dia com os edifícios cobertos de flores que ilustram os panfletos dominicais. Descobri no ato da compra do apartamento, já há um tempo, que o então futuro condomínio que eu habitaria era de propriedade do sr. Avelino. Na reunião a que me referi no início do texto, senti que alguns condôminos descobriam naquele momento o que era uma baita de uma politicagem, com direito a cobranças indevidas, promessas não realizadas, gente pra dormir no corredor, propaganda enganosa e um grande silêncio estampado em páginas duplas de nossos jornais diários.
Outro motivo é a consciência de que o condomínio é o lugar, percebam bem e notem que é verdade, é o lugar onde deve se habitar em rede, numa sintonia que lhe é exigida em dobro em relação a outras vizinhanças. Coberto até o tucupi de referências como Capra, Maturana e Morin, a ideia de viver num condomínio serviu de alusões a algumas leituras que faço recentemente. Um “gato” mal feito ou um cabo da televisão mal instalado não vai trazer prejuízos só para meu círculo de lazer. O cano que eu quebrei sem querer pode afetar o dia inteiro de um vizinho mal lavado. Talvez a moça da administração do condomínio não tivesse tanta consciência disso antes de executar o exercício rotineiro de bater de porta em porta, às 11 horas da manhã, pedindo para desligar a lâmpada ainda acesa. “A conta quem paga é todo mundo”, diz ela.
Aos ainda não-condôminos, portanto, um recadinho: ou descubram com nossas gerações as formas mais divertidas e sustentáveis de ser viver em conjunto, numa inter-relação necessária ao nosso bem-estar; ou então se contentem em imaginar que nenhum daqueles problemas típicos de “Prosamim” te afeta, e façam figa, aguardando com muita esperança e expectativa a certeza do prenúncio apocalíptico de 2012.



Este post se dedica a um caso ocorrido ontem ainda. A Universidade Federal do Amazonas, cheia de acadêmicos que vieram conhecer a instituição por conta da SBPC ou Enapet, é observada pela primeira vez ao vivo por uma série de turistas entusiasmados. A caminho da Ufam, cada grupo de 10 árvores que era visto no ônibus que percorria o Centro, a Cachoeirinha ou o Japiim, era apontado por uma turista “cara de pesquisador”, que indagava: “chegamos à universidade”?
Parece que os colegas jornalistas do Globo e da Folha de S. Paulo ficaram insanos da vida quando viram suas perguntas publicadas, e as respostas reenviadas, para todo mundo ver. É certo que é exagero meu gritar contra a existência de sigilo de órgãos da imprensa. (Muitos aqui deveriam executá-la para preservar o nome de nossos amigos jornalistas ameaçados). Mas, professores de jornalismo, socorro, não me explicaram esse troço de perguntas off.
A tarde mal havia começado ontem, quarta-feira, 6 de maio. Três estudantes secundaristas, identificados facilmente pelo uniforme e materiais escolares, conversavam sob o sol quente habitual da rotatória do Coroado. Perto dali, começavam a estacionar alguns carros da Polícia Militar, preparados mais uma vez para o exercício do poder, com a ajuda certeira de armas, cassetetes, distintivos, sirenes e a poderosa farda cinzenta.
Encontrei o argumento. Veio do analista John Zogby, responsável pelas principais pesquisas de opinião das eleições americanas. No livro “
Para Zogby, ou Lúcia Guimarães, somos a geração bege, pois não pensamos em extremos. Também somos chamados de “Os Primeiros Globais”. Identificam-nos com Obama pois apoiamos os relacionamentos inter-raciais numa proporção maior que os velhinhos que meia idade. Em artigo que escreveu em agosto de 2008, a jornalista (de mais de 30 anos) reflete com olhos otimistas nossa juventude. Sua fonte é juventude americana, que é a juventude do mundo inteiro. Vejam se vocês não pensam o mesmo:
Último ano de graduação em jornalismo 
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