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Archive for Julho, 2009

Digressão rápida sobre jornalismo, turista e itinerários

Leia esse post na página do Bufão na revista O Avesso.

Já passa um mês o Bufão vem se entristecendo com a desatualização. A responsabilidade pela retomada ainda é maior tendo em vista o leque de pautas que foram deixadas para trás. Mil perguntas surgiam, por exemplo, acerca da posição deste blog em relação à decisão do Supremo Tribunal Federal sobre a proibição da obrigatoriedade do diploma para o exercício do jornalismo.

Não é que tenho opinião incômoda para a mobilização anti ou pro-diploma. O certo é que, levando-se em conta o embaraço dos parafusos que se formam em minha cabeça e a possibilidade de uma discussão que já está na geladeira, prefiro discorrer sobre este entre outros assuntos a partir de algumas digressões que faço no dia-a-dia. Digressão, digo eu, é aquele momento em que, sem muito a fazer, faz-se uma pausa no pensamento para dedicar a atenção a algo que lhe surge momentaneamente.

76952635Este post se dedica a um caso ocorrido ontem ainda. A Universidade Federal do Amazonas, cheia de acadêmicos que vieram conhecer a instituição por conta da SBPC ou Enapet, é observada pela primeira vez ao vivo por uma série de turistas entusiasmados. A caminho da Ufam, cada grupo de 10 árvores que era visto no ônibus que percorria o Centro, a Cachoeirinha ou o Japiim, era apontado por uma turista “cara de pesquisador”, que indagava: “chegamos à universidade”?

O fato que trago à discussão (desculpem a digressão da digressão) ocorreu quando uma dessas meninas branquinhas entrou na linha 616, às 21h, e, com o ônibus já em percurso, pediu com o ar gentil de solicitude ao motorista: “quando esse ônibus passar próximo da Vila Olímpica, o senhor me avisa?”

Daí uma conversa desesperada entre cobradora, passageiros e motorista foi lançada para que a moça pudesse chegar ao alojamento na Vila Olímpica com as melhores vantagens para ela própria tendo em vista o desafio que será feito, uma vez que a linha seguia em rumo completamente inverso.

- Você vai descer na avenida Getúlio Vargas, e de lá pega, anote aí, o 223 ou o 207. E o 214 também.

- Não, fulano, assim ela vai pagar dois ônibus. Ela não tem a carteirinha.

- Mas se ela não pagar dois ônibus, não chega à Vila Olímpica.

- Mas é claro que chega. Moça, chama esse rapaz. (Ao rapaz) Você sabe que ônibus do T2 passa na Vila Olímpica?

- Oi? Pelo que saiba, nenhum.

- Ih, então o jeito é pagar dois ônibus mesmo.

- Não tô dizendo… Você desce na Glacial, e espera o 223, 207 ou o 214.

Outro passageiro: – Mas ela vai pegar dois ônibus.

- Fazer o quê?

- Deixa eu dizer. Ela pode descer no T2, pegar o integração pra ir ao T1. De lá, tem um monte de ônibus que vai pra Vila Olímpica.

- Então é isso. Vem cá, você vai descer no primeiro terminal. Lá você pega o integração e no outro terminal você espera os ônibus pra Vila Olímpica?

- Quais ônibus?

- Espera aí, chama esse moço de novo. (Ao rapaz novamente) Quais ônibus da Vila Olímpica passam no T1?

- Se não me engano, 201 passa.

- Você falou que passa um monte…

- É, mas não sei quais passam, nem moro lá perto.

- Eu acho melhor ela descer na Getúlio Vargas, pagando dois ônibus e pronto.

- Mas eu vou pagar dois ônibus todo dia?

- Não, filha. Você nunca mais suba nesse 616 pra ir para a Vila Olímpica. Pegue o 125 e desça no Terminal da Constantino Nery.

Daí a moça desceu no terminal da Cachoeirinha, meio grata, meio receosa. O motorista, que parecia já ter se distanciado da conversa, acende atrasado uma lâmpada:

- Olha a leseira. Era só ela ter pegado o 215. Ia direto.

Termino o post dizendo que compreendo o direito de liberdade de se expressão das pessoas. Assevero a fala de que a opinião é diversa e a manifestação plural desta é um dever da mídia, dos cidadãos, das organizações, dos bares e academias de educação física. Agora fato é fato. Contextualizar informações, mediar opiniões, apurar e difundir da maneira mais clara possível é tarefa dura, exige inteligência e, sim, caros, aprendizagem.

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