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A era das perguntas off. Faltei essa aula.

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Devo ter faltado algumas aulas importantes no curso de jornalismo, porque o ponto do meu cérebro onde são formadas minhas opiniões está em clima de samba do crioulo doido, de modo que peço socorro. Estão comentando aí que a Petrobras está violando o “sigilo dos órgãos de imprensa”, e digo isso com uma pitada de sorriso mordaz na ponta da boca, pois sempre achei que sigilo e imprensa fossem palavras completamente antagônicas.

O fato que cito tem relação com a criação do blog Fatos e Dados, da Petrobras. Pela primeira vez algo aconteceu nessa Comissão Parlamentar de Inquérito que nos fizesse lembrar quem era o alvo dos investigadores, se não o PT, o Governo e os oposicionistas. A assessoria da Petrobras decidiu criar um blog para publicar as perguntas off que os jornalistas enviam para a empresa, assim como o posicionamento “politicamente correto” da Petrobras ante as reportagens que veem na mídia, com direito a divulgação via twitter.

tintinreporterParece que os colegas jornalistas do Globo e da Folha de S. Paulo ficaram insanos da vida quando viram suas perguntas publicadas, e as respostas reenviadas, para todo mundo ver. É certo que é exagero meu gritar contra a existência de sigilo de órgãos da imprensa. (Muitos aqui deveriam executá-la para preservar o nome de nossos amigos jornalistas ameaçados). Mas, professores de jornalismo, socorro, não me explicaram esse troço de perguntas off.

Na prática do jornalismo, quando a fonte menciona o nome “off”, meus ouvidos acendem aceleradamente e ganho interesse pela reportagem. A vontade é de publicar, e, sendo informação, gravo e publico. É engraçado perceber como as funções agora se invertem e não há mesmo mocinho e vilão nessas contendas corriqueiras entre assessor de comunicação e jornalista. Vi nas salas de aula uma briguinha tola que acusavam RP’s de “omissores” dos fatos, e também os jornalistas pela agonia de publicá-las a todo custo. Essa discussão continua. Dia desses presenciei uma parecida.

Os blogs, já diziam nessa época de sua disseminação, eram ótimas ferramentas para que jornalistas publicassem seus textos off, suas matérias censuradas, etc. Arrisco-me a dizer que parece que a Petrobras (me perdoem se outra empresa já fez isso antes) quer virar uma página da teoria do jornalismo, e ser alvo de discussões nas aulas de ética. Preciso participar desses debates pois meu cérebro necessita de opiniões alheias.

Desculpem minha ignorância, nem conheço muito a linha editorial desses jornais, e pouco sei sobre as discussões que envolvem a cobertura da tal CPI. Mas me parece que a Petrobras, que não é burra, quis experimentar uma carapuça nos jornalistas paulistas, frustrados da vida. E parece que a roupa serviu.

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