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Pancada em professor: uma “pauta de blog”

violencia 

Começo a sentir uma ligeira vantagem na arte de comandar um blog. Como se não bastasse a visibilidade que ele vem me oferecendo como um finalista de jornalismo, me ligam com a oferta de uma “pauta de blog”:

- Já está sabendo?

- Oi. Alô, sabendo o quê?

- Tô ligando pra saber se tu já tá sabendo.

Me explicou rapidamente algo em relação à Ufam, estudantes, e já me veio uma resposta pronta sobre a manifestação. Respondi que não estive na última reunião, não estava sabendo.

- Mas põe no teu blog!

E então me explicou direito uma informação que, realmente, não poderia se adequar no molde de uma pauta comum em relação a alguns jornais que lemos. Não é à toa que o fato, ocorrido há pouco, já está em diversos blogs de jornalistas locais. Em época ainda de redemocratização, em que a censura toma formas diferenciadas, invisíveis a olhos ingênuos, crua e maldosa, a “pauta de blog” é um conceito que já deveria estar nos mais modernos livros de comunicação. E os alunos do primeiro período do referido curso, da Universidade Federal do Amazonas (Ufam), já estão cientes da demanda, e conferiram com os próprios olhos.

Em uma das primeiras aulas da disciplina Tópicos Especiais de Jornalismo, um dos assuntos do professor Gilson Monteiro era a censura, os desmandes dos coronéis ante aos meios de comunicação de nossa provinciana cidadezinha baré. Logo depois veio a abordagem prática, com direito a uma visita acadêmica à delegacia de polícia lá perto. Resumindo: o que me contaram as testemunhas do fato – fiz o exercício da apuração – a sobrinha do vice-governador Omar Aziz assim que escutou a crítica feita pelo professor ao tio durante a aula, demonstrou a quem quisesse conferir a sua insatisfação. Seja pelo sentimento de desrespeito, seja pelo faro jornalístico de foquinha recém-nascida, ou por orientações, ou pela vontade do desabafo, a aluna não receou sua futura imagem em sala de aula, nem o recado no Orkut: “o respeito põe os dentes no lugar”, e ligou para o pai, reclamando.

Um tempo depois estavam o pai e o tio Amin Aziz com o segurança, no auditório, para demonstrar a diferença do domínio entre professor e político na base da pancada. Socou o professor Gilson, sem poupar os alunos que estavam presentes, ou o ambiente universitário ou uma pequena leva de jornalistas com poderosos contatos. Inconformado com a notícia, me subiu aquele tino blogueiro, a mesma vontade que tiveram nossos colegas universitários da Uninorte, quando presenciaram fato similar com seus amigos em época de campanha eleitoral.

O tino já havia me contagiado quando perturbada, uma amiga veio me confidenciar dia desses a intimidação que recebeu do vereador Fausto Souza, por telefone, após ter publicado em jornal alguns fatos sobre o homem, colega dos oprimidos. Também há de se comentar aqui a possível intimidação feita a outro jornalista, Cristóvão Nonato, demitido da TV Cultura após denunciar as condições em que trabalhava para a empresa. Sim, amigos, em tempos de manifestações nas ruas, a impressão é que outra geração nos emprestou o prazer de viver a década de 1960.

- Tu vai publicar no teu blog?, me perguntaram ao telefone.

- Mas isso não é pauta pra blog… Manda isso já pra imprensa!

- Clayton, sabe como é a imprensa! Isso é pauta pra blog.

Sim, mas se não fosse a enxurrada de informações sobre o caso circulando via rede social nesta noite, a imprensa acabaria por se autoflagelar caso deixasse se furar pelo fato. Ainda bem.

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  1. desvairadabaricea
    12 Maio 2009 às 1:34 AM | #1

    Revolução já!!!
    Num dia são os pés, no outro são os dentes!!!

    ´´Olho por olho, dente por dente!´´

  2. desvairadabaricea
    12 Maio 2009 às 1:37 AM | #2

    Tadinhos dos nossos dentes…

  3. 12 Maio 2009 às 9:56 AM | #3

    Por essas e outras que o jornalismo tradicional vai morrendo aos poucos. Cada vez mais cabe à blogosfera noticiar o que é realmente notícia.

  4. Marilia
    12 Maio 2009 às 4:51 PM | #4

    É por essas e outras que aluno de universidade federal deveria ser selecionado nao só por nota.
    Do que adianta essa menina ter passado pro curso se tem cabecinha de fuim?
    Quer dizer que se falarem que o pai dela come terra ela tb vai chorar? Onde ela pensa que estuda meu deus! No jardim da infancia Pinóquio?!
    Vai ser bem jornalista de coluna social…
    ÊÊ laiá!

  5. Marilia
    12 Maio 2009 às 4:56 PM | #5

    tão juvenil essa moça!
    Devia sair do seu mundo cor-de-rosa e ir até onde os tios vão, até pra ter certeza se quer seguir o Talento da família ou participar do mundo real.

  6. 12 Maio 2009 às 6:12 PM | #6

    Quando li a notícia no Diário do Amazonas ainda pensei em postar no meu blog, mas vi que o assunto já era “pauta” em vários outros (rs), então resolvi apenas comentar no Autocriação, da Mariana Paraguassú, o que aqui transcrevo:

    Li a notícia no Diário do Amazonas e não sei se sou eu ou o mundo que está ficando louco, mas não me assustei nem um tiquinho…

    A “high society” amazonense é assim mesmo, rouba, estupra, mata e sacaneia.

    E quem reclamar ainda apanha!!!

  7. Allan Gomes
    13 Maio 2009 às 3:33 PM | #7

    Todos os que ficam sabendo da noticia ficam horrorizados e indignados.

    VER foi ainda pior.

  8. 26 Maio 2009 às 11:56 AM | #8

    gostei das palavras Clayton!! bjs

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