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Pra começar a história…

Hoje não é domingo, mas as férias me permitiram aproveitar o ócio criativo novamente. (Desculpem os leitores com outro post carimbado de clichês e obviedades).

À procura de páginas sobre literatura na Internet, encontro uma tentativa de publicidade on-line baseada na leitura de primeiros capítulos. Autores, perdão, a idéia é mais que oportuna, mas nenhum de seus livros me convenceu.

Mas, repito, a idéia vale. Faz parte da minha lista de temores adquirir um livro que venha a me decepcionar. Aqui ao meu redor, algumas obras de autores que, ao contrário, me alegraram. Escrevo o primeiro parágrafo – se não bastar a primeira frase – de algumas dessas histórias. O tempo permite. Só não identifico os donos das letras. Não faço merchandising. Fica para a adivinhação dos leitores. Não é difícil.

Começo com meus favoritos – um tapa em quem não adivinhar:

 

Tudo no mundo começou com um sim. Uma molécula disse sim a outra molécula e nasceu a vida. Mas antes da pré-história havia a pré-história da pré-história e havia o nunca e havia o sim. Sempre houve. Não sei o quê, mas sei que o universo jamais começou.

 

Quando Gregor Samsa acordou, certa manhã, de sonhos perturbadores, ele se viu transformado, na sua cama, em um inseto gigantesco.

 

Naquela sexta-feira dos ventos, 7 de julho, logo que a tarde caiu, os acontecimentos começaram a acontecer feito loucos na vida de Luna Clara, justo na vida dela, uma menina que tinha uma vida meio besta.

 

Hamlet observa a Horácio que há mais cousas no céu e na terra do que sonha a nossa filosofia. Era a mesma explicação que dava a bela Rita ao moço Camilo, numa sexta-feira de novembro de 1869, quando este ria dela,  por ter ido na véspera consultar uma cartomante; a diferença é que o fazia por outras palavras.

 

- Lá vem a Compadecida! Mulher em tudo se mete!

 

Eis aí vão algumas páginas escritas, às quais me atrevi a dar o nome de romance. Não foi ele movido por nenhuma dessas três poderosas inspirações que tantas vezes soem aparar as penas dos autores: glória, amor e interesse.

 

- Senhoras e senhores, vocês vão ver e ouvir a história do mistério do fundo do pote… Ou de como nasceu a fome… Já amanheceu? Falta pouco… Já é hora de contar a minha história… A minha história nasce… e morre como o sol… e se cala quando aparece a primeira estrela. Entrem, amigos… Eu conto esta história todos os dias… Ela é da época em que nem tudo o que existia precisava ser explicado. Existia o mistério, e nós, os cegos, é que cuidávamos dele. Hoje em dia, o mistério se acabou e perdemos o ofício. Eu sou o cego Setembrino.

 

Alguém devia ter caluniado Josef K., pois, sem que tivesse feito mal algum, ele foi detido certa manhã.

 

Há anos raiou no céu fluminense uma nova estrela. Desde o momento de sua ascensão ninguém lhe disputou o cetro; foi proclamada a rainha dos salões. Tornou-se a deusa dos bailes; a musa dos poetas e o ídolo dos noivos em disponibilidade. Era rica e formosa. Duas opulências, que se realçam como a flor em vaso de alabastro; dois esplendores que se refletem, como o raio de sol no prisma do diamante. Quem não se recorda de Aurélia Camargo, que atravessou o firmamento da corte como brilhante meteoro, e apagou-se de repente no meio do deslumbramento que produzira seu fulgor?

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  1. naoesocomigo
    5 Janeiro 2009 às 6:18 PM | #1

    Clayton, amei. Obrigada, eu precisava de algo assim. Já que o ócio está beeem longe de se tornar uma realidade para mim nos próximos meses, só me resta, mesmo, acompanhar uma página tão linda, de textos maravilhosos, que permitem, pelo menos, um acesso a algo criativo. Estou com saudades de você, viu? Um abração.

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