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Pra começar a história…

5 Janeiro 2009 Clayton Nobre 1 comentário

Hoje não é domingo, mas as férias me permitiram aproveitar o ócio criativo novamente. (Desculpem os leitores com outro post carimbado de clichês e obviedades).

À procura de páginas sobre literatura na Internet, encontro uma tentativa de publicidade on-line baseada na leitura de primeiros capítulos. Autores, perdão, a idéia é mais que oportuna, mas nenhum de seus livros me convenceu.

Mas, repito, a idéia vale. Faz parte da minha lista de temores adquirir um livro que venha a me decepcionar. Aqui ao meu redor, algumas obras de autores que, ao contrário, me alegraram. Escrevo o primeiro parágrafo – se não bastar a primeira frase – de algumas dessas histórias. O tempo permite. Só não identifico os donos das letras. Não faço merchandising. Fica para a adivinhação dos leitores. Não é difícil.

Começo com meus favoritos – um tapa em quem não adivinhar:

 

Tudo no mundo começou com um sim. Uma molécula disse sim a outra molécula e nasceu a vida. Mas antes da pré-história havia a pré-história da pré-história e havia o nunca e havia o sim. Sempre houve. Não sei o quê, mas sei que o universo jamais começou.

 

Quando Gregor Samsa acordou, certa manhã, de sonhos perturbadores, ele se viu transformado, na sua cama, em um inseto gigantesco.

 

Naquela sexta-feira dos ventos, 7 de julho, logo que a tarde caiu, os acontecimentos começaram a acontecer feito loucos na vida de Luna Clara, justo na vida dela, uma menina que tinha uma vida meio besta.

 

Hamlet observa a Horácio que há mais cousas no céu e na terra do que sonha a nossa filosofia. Era a mesma explicação que dava a bela Rita ao moço Camilo, numa sexta-feira de novembro de 1869, quando este ria dela,  por ter ido na véspera consultar uma cartomante; a diferença é que o fazia por outras palavras.

 

- Lá vem a Compadecida! Mulher em tudo se mete!

 

Eis aí vão algumas páginas escritas, às quais me atrevi a dar o nome de romance. Não foi ele movido por nenhuma dessas três poderosas inspirações que tantas vezes soem aparar as penas dos autores: glória, amor e interesse.

 

- Senhoras e senhores, vocês vão ver e ouvir a história do mistério do fundo do pote… Ou de como nasceu a fome… Já amanheceu? Falta pouco… Já é hora de contar a minha história… A minha história nasce… e morre como o sol… e se cala quando aparece a primeira estrela. Entrem, amigos… Eu conto esta história todos os dias… Ela é da época em que nem tudo o que existia precisava ser explicado. Existia o mistério, e nós, os cegos, é que cuidávamos dele. Hoje em dia, o mistério se acabou e perdemos o ofício. Eu sou o cego Setembrino.

 

Alguém devia ter caluniado Josef K., pois, sem que tivesse feito mal algum, ele foi detido certa manhã.

 

Há anos raiou no céu fluminense uma nova estrela. Desde o momento de sua ascensão ninguém lhe disputou o cetro; foi proclamada a rainha dos salões. Tornou-se a deusa dos bailes; a musa dos poetas e o ídolo dos noivos em disponibilidade. Era rica e formosa. Duas opulências, que se realçam como a flor em vaso de alabastro; dois esplendores que se refletem, como o raio de sol no prisma do diamante. Quem não se recorda de Aurélia Camargo, que atravessou o firmamento da corte como brilhante meteoro, e apagou-se de repente no meio do deslumbramento que produzira seu fulgor?

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