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Archive for 3 Julho 2008

Emoção. O que é que te provoca?

sapato

Página, esse texto que escrevo é para falar de emoção. E tão difícil quanto comentar sobre esse sentimento é provocá-lo nas pessoas. Quem tem o hábito da escrita sempre é pressionado, por si mesmo inclusive, a exercer a atividade tendo em vista a percepção do que o outro terá no usufruto de seu trabalho. Fazer isso seria uma tortura se não fosse prazeroso. Lemos livros, assistimos a filmes, a peças de teatro e vemos pinturas e manobras artísticas. Não é difícil perceber as falhas que os humanos têm quando não conseguem fazer seu trabalho, provocar emoção. Talvez você nem saiba o que é isso.

Disciplina de redação para telejornalismo é um bom exemplo – os que transitam pela área sabem disso. Somos instigados a estabelecer uma parceria meio insana com um telespectador que não conhecemos. Mas é imprescindível escrever um texto (bom), casar a imagem oportuna e criar um caminho de comunicação com o seu receptor. Criar um caminho de comunicação. Coisa mais difícil que a metáfora. Criar um elo de ligação, provocar uma sensação. Às vezes a sutileza é fundamental. Uma passagem. Um personagem ideal. Aquela perguntinha. Pronto.

Os telejornalistas deveriam exercitar a dramaturgia de vez em quando. Daí descobririam outros obstáculos, maiores, para o exercício dessa maluquice. Provocar aquela emoção é mais complicado que fazer o lero-lero com a mãe, a fim de manipular suas opiniões – alguns conseguem. Na dramaturgia, um feeling muito aguçado é necessário. É preciso preparar o público para o momento em que se necessita provocar qualquer sentimento. Criar uma linha dramatúrgica com bastante cautela. E nunca esquecer que o seu receptor vai apreciar o seu trabalho convicto de que não passa de um mentira. Ilo Krugli, dramaturgo conceituado, diretor do grupo de teatro Vontoforte, de São Paulo, na ocasião em que esteve em Manaus, pediu para os alunos de uma oficina relatarem obras de arte que lhes tivessem provocado emoção. A arte que tivesse uma verdade suficiente para a pessoa acreditar na mentira e se emocionar com aquilo. Pergunta difícil. Eu não tinha resposta.

Escrevo tudo tudo isso sobre emoção, página, porque hoje já tenho a resposta a Ilo Kruli. Esperava há tempos assistir a alguma peça de teatro que pudesse acrescentar ao meu cabidal de referências, uma peça que me provocasse aquele momento de amnésia, de esquecimento, de verdade, de emoção. Algo que me provocasse emoção. Quem teve a proeza foi o pessoal da Bahia, a Cia. do meu Tio, que trouxe a Manaus, anteontem, um belíssimo espetáculo de clowns. Houve a tal linha dramatúrgica, houve preparo dos atores, houve boas produção e direção. Mas algo a mais talvez tenha instigado esse sentimento. Ficou agora um gostinho de querer ver mais teatro. Essas pessoas que por mim circulam, deveriam todas ser provocadas. Essas com problema na memória. Essas deveriam ir mais ao teatro.

PS.: o grupo de teatro tem um blog e uma comunidade no orkut.